Disciplinas

Programa de Pós-Graduação Arquitetura e Urbanismo | PPGAU/FAU/USP
CÓDIGO | AUH5865
CIDADE, HISTÓRIA E PATRIMÔNIO CULTURAL
CITY, HISTORY AND CULTURAL HERITAGE

Mestrado Profissional Projeto e Patrimônio | MPPP – FAU/UFRJ
CÓDIGO | FAH735
SEMINÁRIOS EM PATRIMÔNIO: NOVAS ABORDAGENS EM PATRIMÔNIO
SEMINAR ON PROJECT AND HERITAGE; NEW APPROACHES IN HERITAGE  

Programa de Pós-Graduação em Geografia | PPGG/IGEO/UFRJ
CÓDIGO | IGG721/IGG828
TEORIA CULTURAL/ESTUDOS ESPECIAIS EM TEORIA CULTURAL
CULTURAL THEORY/SPECIAL STUDIES IN CULTURAL THEORY

 

PRIMEIRO SEMESTRE DE 2021
Sextas-feiras | 09 de abril a 28 de maio
Aulas em junho: Globinars Novas Abordagens em Patrimônio | horários diversos (Ver a programação)
Período síncrono
Sessões de aulas on-line: 14h30 às 16h30 
Período Assíncrono
16h30-18hs

CLASSE PERIOD
Fridays, 5pm to 9pm UTC
Aulas em junho: Globinars Novas Abordagens em Patrimônio | horários diversos (Ver a programação)
Synchronous period
online classes: 5:30 pm to 7:30 pm UTC
Asynchronous period
7:30pm to 9pm UTC

Apresentação / Presentation

O curso será realizado como parceria de três programas de pós-graduação, o PPGAU FAU USP, o PROARQ UFRJ e o PPGG UFRJ, reunidos para discutir o patrimônio mundial a partir dos temas das Novas Abordagens em Patrimônio/New Heritage Approaches. Problematizando e refletindo sobre o lugar do patrimônio cultural na contemporaneidade, a disciplina objetiva apresentar reflexões e diretrizes a respeito de novas abordagens em patrimônio e de questões acerca de convenções patrimoniais. Vincula-se à iniciativa global Our World Heritage – OWH, que visa reforçar o papel da Convenção do Patrimônio Mundial da UNESCO, promovendo ações de defesa da sociedade civil, avaliação de práticas de conservação e transparência nos processos de tomada de decisão pública.

A partir dos diálogos nacionais e internacionais, serão discutidas as práticas do planejamento e da preservação urbana, o lugar da memória e dos seus direitos na configuração urbana, as relações entre transformação e preservação, os instrumentos de identificação, reconhecimento e proteção. Buscará debater os desafios das atribuições de valor, das práticas seletivas e a legislação de proteção ao ambiente urbano, tal como constituídas historicamente no Brasil, em comparação com casos internacionais, tendo sempre as experiências do patrimônio mundial em perspectiva. O curso colocará em questão os temas da preservação do território a partir de conceitos de paisagem, paisagem histórica urbana, planejamento, educação patrimonial, gênero, raça, a partir de uma perspectiva multidisciplinar.

The course seeks to stimulate the dialogue with partners from Brazil and from abroad concerning concepts of landscape, historical urban landscape, heritage preservation planning and management and heritage education, considering gender and race, from a multidisciplinary perspective. The debates will also address issues such as the attribution of value, interpretation and legislation issues as historically constituted in Brazil, in comparison to international cases, keeping the experiences of world heritage in perspective. It is linked to the global initiative Our World Heritage – OWH, which aims to reinforce the role of the UNESCO World Heritage Convention to protect the collective heritage worldwide, promoting actions together with the civil society, assessing conservation practices and enhancing transparency in public decision-making processes.

It will be held in partnership with three graduate programs, PPGAU FAU USP, PROARQ UFRJ and PPGG UFRJ, gathered to discuss new approaches to the world heritage, considering and questioning the role and the place of cultural heritage in contemporary times. The discipline also aims to contribute to defining guidelines and recommendations regarding new heritage approaches to update public policies and the World Heritage Convention operational guidelines.

Justificativa / Justification

Os Sítios do Patrimônio Mundial são locais de valor universal excepcional para a humanidade e necessitam de adequados dispositivos de salvaguarda e proteção de acordo com a convenção da UNESCO de 1972. São 1121 sítios ao redor do mundo (869 protegidos devido a seus valores e atributos culturais, 213 devido a valores e atributos naturais e 39 sítios mistos) que, além de oferecerem ambientes de significativo valor paisagístico e de abrigar grupos das mais diversas etnias e classes sociais — que somados à flora, à fauna e às ambiências locais favorecem interpretações que lhes conferem identidade, resiliência social e ambiental, meios de subsistência e bem-estar —, potencializam práticas que podem contribuir para proporcionar equilíbrio socioambiental e a conservação dos ecossistemas naturais em nossas cidades.

Conforme reafirmado pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, práticas de salvaguarda são essenciais para a organização/construção de sociedades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. No entanto, os Sítios do Patrimônio Mundial estão enfrentando ameaças das mais diversas ordens, devido às crescentes pressões fomentadas pelo sistema capitalista em relação à expansão urbana, instalações industriais, aumento do consumo de bens e serviços, turismo insustentável/predatório e/ou atividades extrativistas e mineradoras, que seguem amplificando os efeitos das mudanças climáticas, conflitos socioambientais e o esgotamento das relações entre a sociedade e a natureza. A qualidade do ambiente urbano está sendo seriamente comprometida por decisões políticas equivocadas e pressões prejudiciais aos objetivos originais e protocolos da Convenção do Patrimônio Mundial. Ao mesmo tempo, a forma como os sítios têm sido inscritos tem recebido muitas críticas, muitas vezes apontada como um procedimento elitista, voltado para interesses do turismo e do mercado, de caráter essencialmente Europeu e Ocidental, que estariam afastando a Convenção da sua proposta inicial. Daí, a necessidade e a relevância de se construir outras epistemologias para relativizar tradicionais conceitos e (re)avaliar propostas da Convenção em curso. Busca-se com isso adequar/atualizar consagrados paradigmas ao cenário contemporâneo de nossas cidades e ao modo de pensar a sociedade como um corpo coletivo, onde aspectos de gênero, etnia, raça e renda são parcelas vigorosas para se pensar o ambiente sociocultural e espacial que almejamos para nossos ambientes urbanos e rurais.

Há diferentes fatores que apontam para a necessidade de envolvimento da sociedade civil nas suas mais diferentes classes sociais, com vistas a fomentar a apropriação social dos Sítios do Patrimônio Mundial como uma forma de ajudar a conservá-los. Iniciativas que visem transformar a forma e o conteúdo da Convenção do Patrimônio Mundial e suas diretrizes orientadoras, definir ações e tornar mais concreto o exercício da escuta e o surgimento de outros marcadores, de forma a ampliar o compartilhamento de saberes, a socialização de conhecimento e com isso, de fato, a conscientização sobre as ameaças que os sítios do Patrimônio Mundial seguem enfrentando. Diante de tais premissas destaca-se a importância de se fomentar o diálogo em busca de uma convergência de ideias entre os Estados membros signatários da Convenção e a sociedade civil para que os mesmos compartilhem responsabilidades na salvaguarda e conservação do patrimônio coletivo. Nesse sentido, pretende-se o entrelaçamento de conceitos e métodos no contexto da diversidade e das múltiplas influências culturais e a busca pela conscientização, inserção e capacitação dos diversos extratos sociais na conservação do patrimônio no contexto geopolítico atual.

O evento de lançamento da Iniciativa Global para repensar o Patrimônio Coletivo aconteceu em novembro de 2020, e terá debates temáticos mensais ao longo de 2021, acompanhados por campanhas de mídia social e recomendações para políticas públicas, culminando em um Fórum para marcar o 50º aniversário da Convenção do Patrimônio Mundial em 2022. Ao criar plataformas de diálogo, objetiva-se fomentar políticas de conservação em todas as regiões do mundo por meio de uma maior mobilização da sociedade civil e, em particular, dos jovens. Acreditamos que somente tal movimento social inclusivo pode levar verdadeiramente a “dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da comunidade” (art.5.1 da Convenção do Patrimônio Mundial).

World Heritage Sites are places of exceptional universal value for humanity and suitable for safeguarding and protecting tools in accordance with the 1972 UNESCO Convention. There are 1121 sites around the world (869 protected due to their cultural values and attributes, 213 due to natural values and attributes and 39 mixed sites). Those sites, in addition to offering environments of significant landscape value and shelter diverse ethnicities and social classes which together with the flora, fauna and local ambiences — give them identity, social and environmental resilience, and means of subsistence and well-being to the local population. Many of them are located in cities and contribute to provide socio-environmental balance and stimulate the conservation of natural ecosystems and cultural value in urban contexts.

As reaffirmed by the UN 2030 Agenda for Sustainable Development, safeguarding practices are essential for the organization/construction of inclusive, safe, resilient and sustainable societies. However, World Heritage Sites are facing the threats of the most diverse orders, due to the increasing pressures fostered by the capitalist system in relation to urban expansion, industrial facilities, increased consumption of goods and services, unsustainable/predatory tourism and/or activities extractive and mining companies, which continue to amplify the effects of climate change, socio-environmental conflicts and the degradation of the relations between society and nature. Inadequate political decisions and damaging pressures driven by private interests have seriously compromised the quality of the urban environment, even affecting the original objectives and protocols of the World Heritage Convention.

At the same time, the way in which sites have been inscribed give room to criticisms, often pointed out as an elitist procedure, aimed at tourism and market interests, and as European and Western centered. Hence, the need to build other epistemologies to challenge and relativize conventional concepts and (re)evaluate procedures of the ongoing Convention. The contemporary scenario of our cities also calls for updating consecrated paradigms and of changing the way of thinking about society towards seen it as a collective body, where aspects of gender, ethnicity, race and income are critical.

Different factors point to the need for the involvement of civil society, with its different social groups, to enhance social appropriation of World Heritage Sites as a way of fostering preservation and improve their management. Initiatives that aim to transform the form and content of the World Heritage Convention and its guidelines and define proactive actions are welcome. Procedures that make listening more concrete and promote the emergence of other markers, in order to expand the sharing and the socialization of knowledge and consciousness concerning responsibilities in safeguarding and conserving the world collective heritage are urgent. In the current geopolitical context, it is crucial to consider diversity and the multiple cultural influences and its role in the search for awareness, insertion and training of different social strata in the conservation of heritage.

The launch event of the Global Initiative to rethink Collective Heritage took place in November 2020, and will have monthly thematic debates throughout 2021, accompanied by social media campaigns and recommendations for public policies, culminating in a Forum to mark the 50th anniversary of the World Heritage Convention in 2022. By creating platforms for dialogue, the objective is to promote conservation policies in all regions of the world through greater mobilization of civil society and, in particular, of young people. We believe that only such an inclusive social movement can truly lead to “give cultural and natural heritage a function in the community life” (art.5.1 of the World Heritage Convention).

Metodologia e critérios de avaliação / Evaluation methodology and criteria

O curso será estruturado em dois momentos: 

  • Sessões de aulas síncronas com palestras de convidados especialistas nas temáticas selecionadas, seguidas de debates com os professores do curso e de perguntas organizadas pelos alunos. 
  • Série de eventos internacionais em formato on-line sobre o tema das Novas Abordagens de Patrimônio que acontecerão ao longo do mês de junho de 2021. 

The course will be structured in two moments:

  • Synchronous class sessions with speeches by specialists in the selected topics, followed by debates with the teachers
    of the course and questions organized by the
    students.
  • Series of international events in online format on the theme of the New Heritage Approaches that will take place during June 2021.

Avaliações / Assessments

Monografia ao final do curso tratando de um dos temas desenvolvidos ao longo do curso (50%).

Relatos individuais desenvolvendo e discutindo criticamente os eventos das Novas Abordagens de Patrimônio/ “New Heritage Approaches” que acontecerão no mês de junho de 2021 (50%).

O aluno deve escolher quatro globinars para acompanhar e realizar os relatos a partir deles. 

Monograph at the end of the course dealing with one of the themes developed during the course (50%).

Individual reports developing and critically discussing the events of the New Heritage Approaches / “New Heritage Approaches” that will take place in the month of June 2021 (50%).

The student must choose four globinars to accompany and make the reports from them.

Sessões de aulas síncronas / Synchronous class sessions

Pós-graduandos interessados em cursar a disciplina: Entra em contato pelo correio eletrônico: novasabordagenspatrimonio@gmail.com

Ouvintes: As aulas serão gravadas e disponibilizadas posteriormente no YouTube. Mais informações pelo
pelo correio eletrônico novasabordagenspatrimonio@gmail.com

Participantes